Um novo ambiente [Parte 2]

3 de ago de 2023

Como nas famosas cenas de final de capítulo da novela Avenida Brasil, eu deixei um gancho estranho no post anterior para falar sobre a distro Linux que eu escolhi para usar no dia a dia do trabalho, além de algumas outras coisas.

Avenida Brasil chega ao capítulo 100 com viradas e revelações | Metrópoles
Imagem: Reprodução/Metrópoles

No começo, após ler e assistir algumas críticas, da lista de distros, escolhi inicialmente seguir com o Pop_OS! (assim como no artigo anterior, daqui em diante chamarei apenas de Pop).

Sistema simples, estável, com uma loja de software visualmente agradável e com suporte nativo para os programas do APT e Flathub, com possibilidade de grandes customizações visuais e outras coisas que me chamaram a atenção na época.

O visual em si não seria um grande problema, já que anteriormente havia trabalhado em empresas cujo gráficos dos sistemas operacionais pareciam ter saído dos anos 1990. Minha preocupação era, desde sempre, a estabilidade e compatibilidade com meus periféricos de maior uso.

Vencidas essas barreiras, comecei o uso do Pop. Não demorou para que os primeiros problemas começassem a aparecer.

Desafios

Durante um primeiro período, eu usei o computador corporativo, com Windows e o meu pessoal, com o Pop. Uma das minhas intenções era poder unificar meu fluxo de trabalho em torno do computador pessoal, no Linux. Mas como tudo estava muito recente e incipiente, eu preferi manter, num primeiro momento, as coisas separadas.

O Pop é um belo sistema e com o GNOME Shell atualizado, o que permite o uso de extensões recentes e atualizadas.

O primeiro problema que observei foram alguns travamentos pontuais, mas até aí, tudo bem 👀.

Outra coisa que começou a acontecer foi o modo como o notebook retornava do modo de suspensão. Quer dizer, não voltava.

Embora não seja um computador de última geração, eu sei o que ele faz e o que deixa de fazer. E algo que com certeza não acontecia antes, era travar o retorno da suspensão/hibernação, a ponto de ter que desligar na marra e religar em seguida. Isso foi me deixando cada vez mais frustrado.

Por fim, mas não menos importante, e isso sim pode ser considerado um White People Problem, foram algumas inconsistências visuais, que atrapalhavam na hora de me concentrar no código ou nas minhas aulas. Pode ter a ver com TDAH/autismo (sob investigação), mas esse é outro assunto.

Os programas

Eu tinha a sensação de que poderia precisar de algum programa do Windows ou que isso poderia ser um problema.

Porém, quase tudo tem versão nativa para Linux ou já era versão Web. A única exceção notável é o pacote Office, ao qual não consigo me adaptar ao LibreOffice (desde 2009, provavelmente) e que troquei pelo ONLYOFFICE.

Também, havia a falta do acesso nativo ao OneDrive. Poderia ser substituído pelo inSync. Mas eu sou pobre (o inSync é um software pago), então achei o onedriver.

Ah, lembrei de mais uma coisa que eu senti falta: os emojis via teclado. Resolvido com uma extensão do Gnome Extensions.

A reinstalação

A outra opção de distro, era o Zorin OS. Imediatamente comecei a testar e, graças ao script de instalação que mostrei no artigo anterior, isso aconteceu em pouco mais de 2h. Foi realmente um recorde.

A instalação foi tranquila, familiar até demais. Quem já instalou qualquer coisa baseada em Ubuntu vai se sentir em casa. E talvez esse tenha sido o primeiro sinal de que eu estava indo por um caminho mais conservador - num bom sentido. E isso era exatamente o que eu precisava.

Primeiras impressões

Logo de cara, o sistema pareceu mais consistente. Não necessariamente mais bonito ou mais moderno, mas mais estável.

O Zorin vem com uma proposta muito clara de ser amigável para quem está vindo do Windows. Na prática, isso se traduziu em menos fricção pra começar a trabalhar.

Os mesmos cenários de teste que eu já tinha vivido com o Pop começaram a se repetir:

  • Suspensão do notebook
  • Uso contínuo por várias horas
  • Alternância entre tarefas mais pesadas e leves
  • Uso de periféricos

E, dessa vez, as coisas simplesmente… funcionaram. Quer dizer, mais ou menos.

A suspensão do notebook continuou sendo problemática, uma vez que o computador não entrava em modo hibernação após um período de suspensão, como eu tava acostumando no Windows. Isso passou a exigir de mim um maior cuidado e atenção no consumo da bateria, pra não perder algum trabalho aberto por esquecer de desligar o PC após um longo período de suspensão e fora da tomada.

Conclusão

No fim, essa troca toda deixou de ser sobre distro. O Pop não era ruim. O Zorin não é perfeito. E qualquer outra opção provavelmente teria seus próprios problemas. Mas a experiência mudou completamente quando eu parei de tentar escolher “a melhor” e comecei a escolher a que me dava menos atrito naquele momento.

Hoje, eu trabalho majoritariamente no meu ambiente pessoal, com Linux, e isso deixou de ser um experimento.

E, por enquanto, isso tem sido suficiente.

Léo Carvalho

Léo Carvalho é desenvolvedor back-end Java no Banco do Brasil, professor de programação e falador de abobrinha. Anglicano, tem 30 anos, é pós-graduando em Ciência de dados e IA pelo Senac/DF.